quarta-feira, 14 de junho de 2017

As pessoas não são fascistas porque discordam de você


Por Eduardo Dorneles

Ele tem 17 anos. Ele mora em Viamão, mas pega a condução em Porto Alegre. No Campus do Vale, na UFRGS para ser mais exato. Ele trabalha em um supermercado na Avenida Ipiranga.

Ele estuda à noite. Corre. Está sempre cansado. A vida é dura, porém digna. Seus pais sempre o ensinaram o que era certo e errado - e ai dele sair desse caminho. 

Oportunidades fáceis e ilegais? Surgiam a todo tempo. Em cada esquina. Alguns amigos cederam à tentação. Ele não. Ele insistia no certo. Na vida honesta. Era difícil, mas valoroso. 

Honra. Foi o que o pai, porteiro, e a mãe, diarista, sempre o ensinaram. Era isso que ele aprendia na igreja evangélica também. Lá ele era parte de algo. Havia o senso de propósito, de comunidade. Ele aprendera a tocar baixo naquelas noites. Ministrava o louvor no Culto dos Jovens. 

A vida era dura. Era difícil. Mas ele escolhera o caminho honesto. 

Entretanto, havia algo que o irritava. Algo que o deixava enfurecido. O quê? A forma como aqueles “burgueses” que estudavam na UFRGS, onde ele pegava o ônibus para ir ao trabalho todos os dias, se referiam aos assaltantes e traficantes da região. 

Vítimas, eles diziam.

Vítimas? Sim!, vítimas de uma sociedade opressora. 

Ele não podia com essas afirmações. Por ele, ladrões e traficantes tinham que ter os dedos cortados e a testa tatuada: "sou ladrão e sou vacilão".

Vítima? Vítima sou eu que trabalho honestamente a vida toda, acordo cedo, estudo até tarde, sou assaltado e tenho que ouvir que bandido merece pena, pensava o garoto.

Eu sei. Que absurdo! E os direitos humanos? E a misericórdia? 

Você conhece pessoas assim. Pessoas que dizem "direitos humanos são para pessoas direitas". Pessoas que se dizem "de bem" e confabulam crueldades sem fim em nome de justiça própria. 

Eu sei que você caçoa delas. Eu sei que você as acha, no mínimo, ignorantes. Sei que no fundo você pensa: fascista!

Talvez você tenha razão. Mas proponho uma questão: você já se colocou no lugar dela? 

A metáfora inicial é uma tentativa de fazer você se aproximar destas pessoas. Elas não defendem Bolsonaro, aplaudem tortura e louvam pena de morte porque são burras, fascistas ou "conservadoras" - sim, em aspas porque a maioria que acusa e a maioria que aceita ser acusado por essa definição (conservador) não faz a mínima ideia do que isso significa; enfim, isso é assunto para outro momento. 

Elas defendem Bolsonaro, aplaudem tortura e louvam pena de morte porque estão com medo.

Medo da insegurança. Medo de terem o pouco que conquistaram levado à força. Medo de serem ainda mais injustiçadas. E, principalmente, estão com medo de ouvir que a culpa por isso é delas. 

Afinal, se a culpa é da sociedade, a culpa é de todos. Não apenas de quem escolhe roubar ou matar, mas também de quem, como o garoto da história, se esforça para levar uma vida honesta.

Direitos humanos são fundamentais. Eleger Bolsonaro presidente seria um grande equívoco - econômico, político e social. Porém, não se explica isso às pessoas as chamando de burras ou fascistas.

Desça do salto dos seus livros lidos.

Saia da bolha do seu diretório acadêmico.

Deixe de lado suas teorias de gabinete.

Olhe as pessoas. Elas estão com medo. Elas estão irritadas - principalmente se você é um destes. E elas têm razão, convenhamos. 

Dialogue. Explique. Não apregoe. Quanto mais você quiser mudar as coisas para "melhor" chutando a porta, mais as pessoas vão reagir contrárias. 

Pratique a tolerância que você tanto prega nos textões que você posta no seu Facebook. Pratique o amor que você tanto pede nas manifestações na Esquina Democrática. 

Senão, já viu!, Bolsonaro é eleito presidente em 2018.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

O pesadelo de uma noite de outono


Por Eduardo Dorneles 

Aconteceu algo comigo que há muito não ocorria. Algo que faz parte de um passado distante. Algo que não combina muito com a pessoa que me tornei.  

Eu tive um pesadelo.  

Importante frisar: tenho sonhos ruins, é claro. Às vezes, mas os tenho.  

Sonhos que projetam memórias há muito soterradas, traumas que se materializam, anseios que ganham formas, lembranças das tragédias que chegam até mim cotidianamente. Enfim. Coisas que, de uma forma ou de outra, fazem sentido.  

O episódio desta referida noite foi diferente.  

Não vou entrar em detalhes, evidentemente. Não pretendo dar pano para manga. Não quero vê-lo, com todo o respeito, conjecturando teorias a meu respeito. Estou tranquilo quanto as minhas patologias. Relaciono-me bem comigo mesmo.  

O especial do episódio, se é que podemos adjetivar desta forma, foi o absurdo terror que foi incutido em mim. Prova? Acordei com um "arrgghhh". 

Sim, exatamente como o cinema costuma mostrar episódios semelhantes. 

Assim que a embriaguez do sono passou, ri da cena. Onde já se viu um homenzarrão como este que vos fala despertar aos gritos? Entretanto, logo essa crítica se desfez diante do fato que o terror continuar lá, intimidando e provocando meu intelecto. Nada que eu pudesse dizer ou fazer alterava aquela situação.  

Demorou, mas passou. Voltei a dormir. Acordei tarde. A circunstância que me aterrorizou continuava na minha memória. Até hoje ela continua, para ser honesto. Vez ou outra ainda penso nela. Pensei nela há pouco. Este foi o motivo de começar a escrever as palavras que você tem lido nos últimos instantes.  

Fique tranquilo, querido: está tudo bem. Porém, isso me fez refletir, me fez lembrar do humilhante fato: não sou senhor de mim mesmo.  

Não controlo o que penso. Não domino o que se passa dentro ou fora do meu corpo. Sou como um passageiro que não conhece o destino da viagem. Minha vida não me pertence. Ela escorre e escapa entre meus dedos.  

É importante lembrar isso. É uma lição de humildade e uma grande oportunidade de demonstrar coragem. Afinal, o que é mais assustador do que ser confrontado pela Roda da Fortuna do destino?  

Posso falar por mim: aquele pesadelo era mais assustador. 


quarta-feira, 31 de maio de 2017

O causo da lata de sardinha - Parte 3


Leia a primeira parte da história aqui

Leia a segunda parte da história aqui

Por Eduardo Dorneles


Mônica aguardara aquela noite com entusiasmo. Não havia visto o namorado durante o fim de semana todo. Era terça-feira, véspera de feriado, e ela poderia tê-lo durante toda a noite. Seria mágico.

Que tola eu sou, pensava Mônica cada vez que o rosto de Mathias passava por sua mente. Jornalista por formação e mestranda em cultura digital, ela não se sentia assim há muito tempo. O famoso consultor de comunicação que conheceu no coquetel de um cliente mexera com ela. A mulher convicta e segura, consciente de seus propósitos, dava lugar a uma menina tola e fugaz quando Mathias sorria. Eram suas covinhas, ela justificava para si.

Do primeiro "olá" ao amanhecer ao seu lado não demorou muito. Daquele momento em diante, estar nos braços de Mathias se tornara seu maior prazer. Por isso, aquela noite de véspera de feriado era tão especial.

Como todo casal apaixonado e financeiramente bem resolvido, já haviam conhecido a maioria dos conceituados restaurantes de Porto Alegre. Aquela noite pedia algo mais discreto. Como dois adolescentes, Mônica e Mathias desfilavam pelos corredores de um tradicional supermercado da cidade quando tudo aconteceu.



A reação de Mathias foi idêntica a que ele teve quando se virou e foi surpreendido na segunda sala de espera da Emergência do caro hospital. O motivo? O mesmo!

Ela.

Elis, sua filha.

A menina de doze anos que ostentava no nome uma homenagem a mulher que era um ídolo da mãe, também encarnava a altivez e força da Elis original.

O cabelo castanho e escorrido, o corpo franzino e elegante - que condizia com o balé que era obrigada a praticar desde a tenra idade -, escondiam as peripécias ao qual ela era capaz.

O casal de namorados - o pai, principalmente - sabia disso e se assustou quando percebeu que ela os fuzilava com o olhar há apenas alguns metros de distância. No corredor, eles procuravam uma mostarda especial. Já ela segurava uma lata de sardinha. O silêncio os torturava, como se um duelo no Velho Oeste fosse acontecer.

- O que senhor está fazendo com essa vadia? - acusa Elis.

- Elis! Não fale assim. A Mônica é uma amiga...

- Amiga o caralho! Ela é a sua putinha. - esbraveja a pequena bailarina com dedo em riste, despertando a atenção de quem apenas passava.

- Elis!, por favor!... - balbucia o pai constrangido.

- O quê?! Não posso andar no supermercado?! - grita a menina.

Enquanto Elis desafia e confronta o pai, Mônica silencia e se contrai. Constrangida. Humilhada. Não era para isso que ela havia lutado tanto. Na crisálida que havia criado, Mônica não percebera o que, cruelmente, acontecia.

- A mãe é uma santa! Uma mulher incrível! Ela pode não fazer nada, não dizer nada, mas todo mundo sabe o que o senhor faz. Todo mundo! Todos seus clientes! Toda Porto Alegre! - cuspia Elis.

- Fica. Quieta. - ordenava Mathias, sem qualquer autoridade.

- Tu é um desgraçado! Um maldito! - gritava a menina.

Irritado, ofendido e constrangido, Mathias ensaiou mover uma ação, segurar a filha, se impor como adulto. Porém, a simples inclinação do seu corpo em direção a menina produziu a reação que originou todo esse conflito.

Ágil, por reflexo, Elis atira, com toda a força que julga ter, a lata de sardinha em direção ao pai. Ela quer feri-lo. Matá-lo. Entretanto, nenhuma dessas opções se realiza. Ao contrário: o inesperado acontece. A lata de sardinha atinge em cheio o rosto de Mônica.

- Foi isso mesmo que aconteceu? - pergunta Luciana, a médica.

- Sim. Foi. Eu não queria machucar ela. Não queria machucar ninguém. - balbucia Elis.

- Seu pai obrigou você a vir aqui? - sugeriu a médica, desconfiada do relato da menina.

- Claro que não! Meu pai não manda nem nele mesmo. - riu Elis.

- Quem trouxe você? - indagou Luciana.

- Minha mãe.

- Sua mãe?! - surpreende-se a médica.

- Eu a chamei. - interrompe Mônica. - Foi um acidente. Ela não teve culpa.

- Onde está sua mãe?

- Ali! - aponta Elis, expondo a bela mulher que observa tudo em um silêncio altivo e sacro.

Satisfeita, a médica contempla as duas, filha e amante, em um olhar de cumplicidade e compreensão. No fundo, sentado e derrotado, Mathias apenas fita a cena calado. Tudo se resolveu sem a necessidade de sua interferência. A vida aconteceu e ele não percebeu.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Não acredito nisso


Por Eduardo Dorneles

Mário Rodrigues, pai de Nelson Rodrigues, em 1926, foi subornado por Sérgio Lorêto, Governador de Pernambuco. Melhor. Sérgio Lorêto tentou subornar Mário Rodrigues.

Mário era o editor do jornal carioca A Manhã e, na época, fazia uma forte campanha contra o governo pernambucano – sua terra natal. Lorêto, então, enviou um emissário para falar com Mário e lhe perguntar: “quanto você quer para calar a boca?”

Lorêto era homem perigoso. Era sabido os casos de jornalistas sumidos depois de tecerem críticas severas ao homem. Mário pensou e sugeriu: “eu paro se”. E pediu uma quantia absurda para a época. O emissário recuou. Pediu para que Mário considerasse o valor. Afinal, outros membros da imprensa eram bem mais baratos.

Não. Era isso ou nada.

Era isso. O valor foi aceito e entregue dias depois. Assim que a bolsa de dinheiro chegou às mãos de Mário, ele correu para o jornal, chutou a porta da redação e anunciou a todos o suborno do governador pernambucano. No dia seguinte, A Manhã contava tintim por tintim todo o processo. E as manchetes ainda traziam a seguinte promessa:

- Mário Rodrigues doará TODA a propina aos pobres do Rio de Janeiro.

E assim sucedeu: no dia seguinte, montado na sacada, Mário arremessava as notas aos paralíticos, doentes, órfãos e viúvas que se aglomeravam na rua.

Verdade? Quem conta isso é o Nelson, filho de Mário e um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Eu leio Nelson. Eu pesquiso Nelson. Eu acredito em Nelson.

Porém, eu não acredito em Bolsonaro, por exemplo. Eu não acredito que ele devolveu o valor doado pela JBS para sua campanha na época das eleições de 2014 por ser honesto e, definitivamente, não acredito que ele vá saber o que fazer se eleito presidente - a chance existe, viu?; muita gente gosta do sujeito e não fala nada por medo da intolerância dos que pregam tolerância.

Assim como eu não acredito na ingenuidade de Temer naquele encontro com um dos irmãos da JBS e não acredito nas teorias conspiratórias que os crentes da igreja do Lula pregam.

Também não acredito em quem quer salvar o mundo. A boa intenção quase sempre é a justificativa encontrada para moldar a realidade segundo sua própria visão. Ai!, daqueles que discordarem: ainda que não vejamos, eles querem o nosso bem. A-ham.

Não acredito em coachs e palestras motivacionais que buscam construir a narrativa que um emprego é uma missão transcendental - e não uma forma de ganhar dinheiro - e que você é um colaborador único e especial - e não um funcionário que é pago para produzir. Joinha para você.

Não acredito em homens feministas. Não acredito em quem pede mais amor e menos aquilo - o que quer que seja - que ele despreza. Não acredito na capacidade de discernimento de quem acha o Luan do Grêmio um jogador "normal".

Não acredito em marketing do bem. O que uma de suas mãos faz que a outra sequer fique sabendo, já diria Jesus. Afinal, a verdadeira virtude é sempre silenciosa.

Mas eu acredito no Nelson e no gesto do seu pai, Mário. Já é algo, convenhamos.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O causo da lata de sardinha - Parte 2


Leia a primeira parte da história aqui


Por Eduardo Dorneles

Mathias era proprietário de uma tradicional agência de comunicação de Porto Alegre. Depois de anos como repórter e editor em um dos maiores jornais da cidade, decidiu usar todo seu conhecimento e bons relacionamentos para começar seu próprio negócio. Mais de uma década já havia passado desde que ele fundara a agência e muita coisa já havia mudado. Exceto uma: ele detestava ser colocado contra a parede. 

Não há uma conclusão sobre isso. Talvez pela sensação da falta de controle sobre os aspectos que se apresentam. Provavelmente por toda sua vida profissional ter sido baseada nos questionamentos que ele fazia a outros. 

Enfim. 

Mathias, neste momento, precisava lidar com uma versão daquilo que detestava. Na antessala dos consultórios da Emergência de um hospital, ele era sabatinado pela médica que atendera sua namorada, Mônica, ferida no supercílio esquerdo. 

- Como ela se machucou? - perguntou a médica.

- Ah, descuido. Estávamos no supermercado e ela tentou alcançar uma prateleira mais alta e acabou derrubando uns enlatados sobre ela. Acabou dando naquilo. - lamenta Mathias. 

- Nossa! Impressionante como as coisas acontecem, não é?

- Pois é. 

- Mas me diz uma coisa: que tipo de enlatado caiu sobre ela? - perguntou a médica.  

Mathias não conseguiu responder. Sabia que estava sendo interpelado. Suas respostas já não eram apenas soluções para a curiosidade médica. Suas respostas poderiam ou não formar a base de uma séria acusação contra ele. 

- Uma lata de pêssego em conserva. - cuspiu ansiosamente. - Elas são pesadas. Deviam estar úmidas. 

Luciana, a médica, ouviu em silêncio e com atenção a resposta de Mathias. Sua expressão era uma incógnita. Refletia sobre as palavras que acabara de ouvir. Atento a reação da médica,  Mathias tenta quebrar o silêncio ensurdecedor. 

- Algum problema? - ele pergunta. 

- Não, não. É só que... Você disse que caíram latas de pêssego em conserva sobre ela, isso? - propõe Luciana. 

- Isso!

- Curioso isso! É que ela disse que foram latas de sardinha. 

Quando as palavras da médica fizeram sentido na cabeça de Mathias, uma gélida sensação percorreu suas costas. Era como se uma fria lâmina penetrasse e cortasse de cima a baixo sua coluna. Não se fazia necessário pensamento mais rebuscado para se compreender as consequências daquele imbróglio narrativo. "A merda estava feita", pensou Mathias. Tudo ruiria. Tanto a mentira que o casal tentou construir quanto a reputação que ele ergueu em quase trinta anos de profissão.

Ele tentava formular uma linha de raciocínio lógica, mas era atrapalhado pelo olhar severo e intenso de Luciana.

- Senhor Mathias: o que aconteceu a Mônica? Porque, entre nós, uma lesão daquela não pode ter sido causada por uma lata, do conservado que for, que cai de uma altura de alguns centímetros. - apontou a médica.

Mathias tentava, de todas as maneiras, formular uma resposta que ao menos desacreditasse a sugestão que Luciana fazia. Entretanto, nada lhe vinha à cabeça. Ele era conhecido no mercado como excelente administrador de crises. Muitas marcas o procuravam na esperança de resolver problemas de imagem junto ao público. Inigualavelmente eficaz, ele resolvia todos. Porém, a maior crise que ele já testemunhara não era de nenhuma empresa e, sim, dele próprio. E ele não conseguia pensar em ideia alguma para sair daquela situação.

- O senhor sabe que como médica tenho prerrogativa para chamar a polícia em casos como este, não? - questiona a médica.

Sim! Ela tem. E agora? O que fazer? Como resolver aquilo? Ele não podia ser acusado de agredir a namorada? E seus contratos? E sua reputação? O que fazer?

O drama perturbava Mathias e refém do silêncio ele permanecia. Ele queria falar. Dizer que não!, que não havia agredido Marcele, que ele a amava, que nunca poderia ter feito algo como aquilo. Mas desfazer aquela mentira poderia revelar uma verdade há muito escondida. O que fazer?

Como uma resposta do céu, atrás da médica, surge Marcele. Ela é linda como um anjo. E, como um anjo ungido pela graça do Senhor, ela traz uma mensagem de justiça e misericordiosa.

- Amor... - balbucia Mathias.

- Dona Mônica, querida, a senhora devia estar descansando. - sorri a médica.

- Eu precisava corrigir esse mal entendido. - afirma Mônica, categórica e segura, como até então não demonstrava ser.

- Que mal entendido? - indaga a médica.

- Amor... - sussurra Mathias, em tom de lamentação.

- Sobre o que realmente aconteceu. - conclui Mônica, apontando com o olhar para trás de Mathias.

O namorado, ao girar em torno de si, se assusta. A médica, ao compreender o que observava, se surpreende. Mônica, aliviada, sorri.

Afinal, o que eles viam?

Descubra no próximo capítulo de nossa história.